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Arbitrar não é fácil, todos nós sabemos. Talvez seja essa dificuldade que nos apaixona pela carreira. Quer lance mais didático do que o do gol anulado na partida envolvendo Botafogo X São Paulo, nesta última quarta-feira?
É claro que por motivos éticos (e lógicos), não podemos e nem devemos dizer se o árbitro acertou ou não. Mas uma observação didática e de entendimento da regra é possível, já que neste fórum há a propositura de debate e crescimento no conhecimento da regra de jogo.
Pois bem: Primeiramente, temos que lembrar que estar em posição de impedimento não é uma infração. Assim, devemos assinalar o tiro livre indireto se entendermos que um jogador que está em posição de impedimento e:
1- Interfere na jogada;
2- Tira proveito daquela posição;
3- Interfere contra o adversário.
Dessa forma, o jogador estaria deixando de estar da posição de “impedimento passivo” para “impedimento ativo”. (é claro que aqui o linguajar é mais popular para facilitar a compreensão).
Agora, visualize a jogada do gol questionado e entenda que:
1 - INTERFERIR NA JOGADA quer dizer que, se o atleta Botafoguense, que estava em posição de impedimento, dominasse a bola e chutasse para o gol.
2 - TIRAR PROVEITO DAQUELA POSIÇÃO significa que se o chute fosse certeiro em cima do goleiro são-paulino, e esse possibilitasse um rebote, se o atleta Botafoguense que estava em posição de impedimento passivo na jogada (caso se mantivesse imóvel) e depois aproveitasse desse rebote e chutasse para o gol.
3 – INTERFERIR CONTRA O ADVERSÁRIO representa que se o chute fosse para o gol, e o Botafoguense atrapalhasse a visão do goleiro, ou fizesse menção de ir para cima do mesmo, ou realizasse um corta-luz no lance, e a bola fosse para o gol.
Em todas essas situações, o gol deveria ser anulado e marcado o tiro livre indireto, onde o jogador botafoguense se encontrava no momento do chute de seu companheiro. Bater/Desviar a bola ou não em qualquer são-paulino é irrelevante.
No lance de ontem, o jogador levanta o pé após ocorrer o chute, que é desviado no atleta do São Paulo. O que poderíamos interpretar?
1- Ele, com aquele pé levantado, manifesta desejo de abandonar o lance para não interferir no jogo?
2- O atleta, levantando o pé, tentou dominar a bola para chutar no gol?
3- Ele atrapalhou o goleiro Rogério Ceni, e assim interferiu contra o adversário?
4- Alguma outra hipótese ou interpretação?
Assim, nos nossos “jogos de aprendizado” que assistimos regularmente podemos tomar a nossa decisão, à luz da regra aqui lembrada. Mas peço licença para abster-me, por motivos óbvios, de julgar o lance do colega brasiliense Sérgio da Silva Carvalho e seu assistente (que peço desculpas por não ter o nome à mão), pela lógica de estar em “impedimento ativo” por força da atividade de arbitragem.
O certo é que a dificuldade do lance não foi levantada, mas apenas, lamentavelmente, a questão: errou ou acertou?
Procurando ajudar a crescer no positivo debate em prol da melhora da nossa atividade, deixo livre às opiniões.
Ops: àqueles que tiverem outro entendimento, compartilhe no fórum de debates.

criado por Prof Rafael Porcari
10:55:16Muitas vezes, o produto é modificado tendo em vista o aceite do cliente. Voluntariamente ou involuntariamente, algumas ações são pertinentes. Veja que material interessante, extraído da revista Exame:
O marketing que vem das ruas
http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0929/marketing/marketing-vem-ruas-391506.html
Por diversas vezes já se decretou o aparecimento de um novo consumidor - exigente e imune aos apelos do marketing. Os membros dessa nova geração seriam quase inatingíveis pelas campanhas tradicionais e representariam o desafio do século para os marqueteiros de grandes corporações. Um livro recentemente lançado nos Estados Unidos chama a atenção por levantar um argumento quase oposto. Escrito pelo jornalista Rob Walker, Buying In (algo como "Comprando a idéia", numa tradução livre) defende que os consumidores de hoje nunca estiveram tão predispostos ao consumo nem se engajaram de maneira tão intensa na construção das marcas. Walker explica que algumas marcas souberam perceber o novo comportamento e seguir essa tendência adotando duas táticas: tornando-se mais atentas às reações que vinham das ruas e optando por mensagens mais sutis em suas estratégias de persuasão. O jornalista criou um neologismo para nomear o novo relacionamento entre empresas e consumidores - "murketing", união das palavras marketing e murky (nebuloso, em inglês). O termo, segundo o autor, sintetiza uma relação em que as marcas se dedicam a construir uma relação de cumplicidade com o consumidor - em que as armas mais eficazes passam longe de campanhas convencionais na TV.
Walker constrói a maior parte de seus argumentos com base em entrevistas e observações realizadas para a coluna semanal sobre consumo que assina há mais de quatro anos na revista semanal do jornal The New York Times. Ele dedica boa parte da obra a dar exemplos de marcas que ganharam "vida própria" nas ruas, ao adquirir características que as empresas que as criaram nunca planejaram. É o caso da Converse, fabricante dos tênis All Star, símbolos de rebeldia para uma legião de consumidores. A empresa ganhou fama no começo do século 20, quando um jogador profissional de basquete chamado Chuck Taylor tornou-se um dos primeiros atletas a fazer propaganda de um produto. Taylor foi contratado para visitar clínicas de basquete em todo o país e promover os tênis All Star junto aos atletas. Logo a Converse se tornou líder em calçados esportivos - e durante décadas reforçou sua imagem com a contratação de novos astros do esporte. Nos anos 80, porém, quando concorrentes como a Nike inundaram as lojas com modelos de tecnologia mais avançada, a velha fabricante entrou numa espiral de decadência que quase a levou à falência. O que salvou a Converse (e, mais tarde, motivou a própria Nike a adquiri-la em 2003) foi o fato de, aos poucos, os próprios consumidores começarem a associar o All Star a uma aura de contestação e descompromisso. À revelia da empresa, a imagem foi cristalizando de tal maneira que os tênis chegaram aos pés de roqueiros e artistas que nunca pisaram numa quadra de basquete. Com a fama de "descolada", a Converse alcançou novos públicos e se manteve no mercado. Hoje, a própria empresa se vale desta imagem em suas campanhas, com a contratação de ídolos como Julian Casablancas, vocalista da banda Strokes.
Segundo Walker, as empresas precisam estar atentas aos grupos de consumidores que inesperadamente podem dar sentido a um produto - ou, para seguir a metáfora do autor, "criar uma narrativa". Um dos melhores exemplos disso é o da cerveja Pabst Blue Ribbon, uma marca quase desconhecida, consumida durante décadas por pais de famílias dos subúrbios americanos. Para surpresa dos executivos da cervejaria, o produto caiu no gosto dos universitários de grandes cidades e passou a ser vendido em bares freqüentados por um público que os próprios representantes de venda da empresa classificavam de "aquela gente alternativa". Com o reposicionamento forçado, a Pabst entrou na mesma sintonia e começou a patrocinar rádios de rock pouco conhecidas e viu suas vendas dobrar, entre 2001 e 2006, ao se tornar uma espécie de hit da contracultura.
O autor também demonstra o poder do marketing das ruas ao descrever os efeitos do "marketing do buchicho", realizado por empresas especializadas que instruem centenas de voluntários a divulgar no boca-a- boca um determinado produto. Detalhe: os agentes devem tentar convencer inclusive amigos e parentes, em geral sem contar que estão recebendo algo em troca (como amostras do produto) pela indicação. Segundo Walker, a tática costuma dar bons resultados e já atraiu empresas como a UPN, dona do canal de TV responsável pelo reality show America’s Next Top Model. O canal contratou uma empresa para rastrear na internet centenas de adolescentes fãs do programa e distribuiu "kits de festa" às garotas, com a condição de que elas reunissem suas amigas em casa para assistir ao show. A gigante Procter&Gamble criou sua agência de propaganda boca a boca e diz contar com um cadastro de mais de 500 000 mães, dispostas a divulgar de fraldas a pasta de dente. A eficiência dessa estratégia vem do fato de que, quanto mais genuína parece a mensagem do produto, mais rapidamente ele será aceito pelas pessoas. A conclusão, segundo Walker, é que ainda estamos bem longe de ser imunes - ou pelo menos existem artimanhas eficientes para driblar a exaustão da publicidade de massa. A figura do "superconsumidor" que não se deixa influenciar por ninguém, para ele, não passa de um personagem de ficção.

criado por Prof Rafael Porcari
06:48:12