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Se fôssemos escolher os nomes do jogo do último domingo que se destacaram (Palmeiras X São Paulo), talvez seja quase unânime a seleção destes 3 representantes. Pelo Palmeiras, o treinador Wanderley Luxemburgo, por ter mudado o jogo num esquema ofensivo, e conseguido o empate. Pelo São Paulo, a verdadeira muralha chamada Rogério Ceni. Pelo jogo e para o bem do cumprimento das regras (parafraseando o lema da FiFA), o árbitro Sálvio Spínola Fagundes Filho. Talvez, o maior nome da partida.
Claro que não posso (e nem farei) uma análise do jogo - não seria nem prudente, nem devido e muito menos ético, afinal, quem sou eu? Mas como árbitro, a partida era atrativa pelos fatores "aprendizado" e "torcida". Sim, torcida pelo quarteto de arbitragem - Sálvio, Corona, Emerson e Zé Henrique - em função da amizade para com os colegas de atividade e da covardia que fizeram para com o árbitro durante os últimos dias, com uma pré-disposição negativa dos dirigentes.
Didaticamente, pude aprender e observar alguns detalhes interessantes. Até o pênalti marcado, ocorreram 6 "pedidos de faltas", ou seja, 3 lances de cada equipe onde covardemente os atletas se jogaram a fim de cavar faltas, e serenamente o Sálvio não as marcou (Será que esses caras, se jogassem no Campeonato Inglês, fariam isso?). Aliás, pôde-se observar uma concentração constante da arbitragem. Algumas vezes, as pessoas costumam confundir frieza e falta de vibração na partida. Sálvio superou esse limiar, e conciliou perfeitamente o "estar no clima do jogo" e "ser frio". Aliás, o equilíbrio emocional do quarteto de arbitragem contrastou com o desequilíbrio dos jogadores. Ou será que o clima de guerra criado com as provocações semanais entre os próprios atletas, torcidas e dirigentes não contribuiu um pouco para as expulsões? Ali começou o árbitro a ganhar o jogo.
Outro desafio da arbitragem foi agüentar a pressão fora das 4 linhas. Ou será que os treineiros estavam em um clima de Fair Play somente observado na Europa? Aliás, o clima histérico de treinadores (ou treinador) assustava: ali se cozinhava uma possível desculpa para uma derrota através de caras e bocas para as câmeras de tv. A propósito, cara feia e boca suja...
Agora, impressionante o certeiro "ouvido surdo" do Corona. Ali, como assistente 1, tinha que ganhar adicional de periculosidade! Nova lição a se aprender para nós, árbitros.
Já que se falou de assistente, o que falar do lance do Emerson? Se tivesse dado gol, no lance dificílimo da bola parcialmente dentro do gol e sobre a linha, ele não conseguiria chegar até Marília nos próximos dias... E as emissoras acabaram por optar em louvar a oportuníssima câmera da geradora que flagrava perfeitamente a bola batendo no chão. Só que a perspicácia do assistente e a dificuldade do olho humano foram esquecidas. Se erra, era o assunto da semana. Como acertou, os aplausos foram de poucos segundos.
Em suma, o jogo nos ajudou a aprender - e digo aprender literalmente pois toda a partida que assistimos deve ser um aprendizado contínuo - alguns fatores cada vez mais fundamentais à arbitragem: CONCENTRAÇÃO, EQUILÍBRIO EMOCIONAL, E BUSCA DA COMPETÊNCIA. Cito por fim competência, pois foi sinônimo da arbitragem de ontem. Alguns jornalistas disseram que vários lances de sorte ocorreram ao quarteto e que ajudaram na condução do jogo. Sorte? Tais de brincadeira, cára-pálida... Competência e preparação pura. Acertar e errar na partida é normal e praticamente inevitável. Entretanto, com tais dificuldades e pelo contexto todo, só se pode ovacioná-los. Parabéns aos amigos!

criado por Prof Rafael Porcari
06:44:38