Blog do Professor Rafael Porcari

observações e manifestações do Prof Rafael Porcari sobre os diversos temas atuais. Debata e Comente os assuntos, vamos desenvolver nosso espírito crítico!

Blog do Professor Rafael Porcari

observações e manifestações do Prof Rafael Porcari sobre os diversos temas atuais. Debata e Comente os assuntos, vamos desenvolver nosso espírito crítico!
<  Agosto 2008  >
S T Q Q S S D
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2008, 17

17.08.08

O Comércio Justo

Amigos, um assunto novo no meio da administração é o dito "Comércio Justo". Abaixo, material da Folha de São Paulo, edição de sábado, sobre o assunto (veja que tópico interessante para debate):

 

Um ilustre desconhecido por aqui, o dito "comércio justo" começa a pingar nas gôndolas do país

por CYRUS AFSHAR, da REPORTAGEM LOCAL


Você topa pagar um pouco mais por um produto feito sem danos à natureza ou exploração desumana do trabalho, sabendo que sua compra ajuda a desenvolver comunidades pobres? Milhares de consumidores no mundo topam. São a base do dito "comércio justo".

Muito mais conhecido na Europa, o "comércio justo", ou "solidário", ou ainda "ético" é um movimento social e um sistema internacional de comércio, que busca atenuar desigualdades nos países pobres, por meio da venda de produtos feitos em padrões sustentáveis.

No Brasil, produtos com o certificado do comércio justo ainda são raros em supermercados. Mas isso pode mudar a partir desta semana, quando serão lançadas as normas nacionais desse comércio.

Por aqui, o sistema começou a ganhar algum espaço no final dos anos 90 e só se tornou mais estruturado a partir de 2003. A proposta para normatizar o comércio justo no Brasil, que será levada agora, no dia 19, a um encontro internacional sobre o tema, no Rio, dá a ONGs e empresas a competência de certificar produtos, orientadas pelo Inmetro. Ela foi desenvolvida por Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária), Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e outras entidades da sociedade civil. Surge quase dois anos depois da criação de suas linhas gerais.

"Quando a coisa é muito "democrática", feita a 20 mãos, o processo se arrasta", diz Vanucia Nogueira, 47, superintendente do Centro de Excelência de Café do Sul de Minas, que trabalha com pequenos agricultores na região de Varginha.

Enquanto não vão para as gôndolas daqui, produtos nacionais de comércio justo já certificados internacionalmente são exportados para a Europa, como manga, suco de laranja e café. Essas mercadorias são vendidas pelo "preço justo", isto é, suficiente para que pequenos produtores consigam manter tanto um padrão de vida digno quanto os modos tradicionais de produção.

Um exemplo é o café. Em Minas Gerais, uma saca (60 kg) comum custa por volta de R$ 250, de acordo com o Centro de Excelência de Café do Sul de Minas. Já uma saca da produção "justa" rende ao pequeno produtor R$ 310, quase 25% a mais que o preço de mercado.

Isso é financiado na outra ponta da cadeia, pelo consumidor. A diferença entre o preço comum e o "justo" varia segundo o país e o produto.

Em São Paulo, o Sam"s Club vende o café de comércio justo por R$ 7,38 (250 g), 17,6% mais barato que um café gourmet (R$ 8,96). Mas bem mais caro que um café comum (R$ 2,30). Apesar dos preços altos, o mercado ético mundial cresceu a uma taxa anual média de 40% nos últimos cinco anos. Em 2007, cresceu 47% e movimentou 2,3 bilhões de euros, segundo a Fairtrade, entidade que reúne 23 certificadoras internacionais e produtores da América Latina, Ásia e África. As certificadoras atestam para o consumidor que os produtos seguem os padrões do sistema.

"O comércio justo oferece aos consumidores uma poderosa oportunidade para assumir a responsabilidade pelo que compram. Cada vez mais pessoas se preocupam com a procedência da mercadoria e querem saber se os produtores envolvidos obtêm remuneração justa", diz Verónica Sueiro, coordenadora da Fairtrade.

O Africano de Engenheiro Coelho

O futebol nos proporciona situações engraçadas e curiosas. E as divisões de baixo e jogos pelo interior, a nós, árbitros, permitem conhecer histórias e estórias. Na última rodada, tive a oportunidade de apitar a partida entre o Sub20 da Ponte Preta X Independente, e trouxe de lá (além da lembrança de uma ótima arbitragem), a história real do africano M'Bola. Veja que curioso:

Ao chegarmos à praça esportiva, encontramos um negro alto, forte, jovem e bem vestido, sozinho numa arquibancada, debaixo de um escaldante sol. Assim que descemos do carro, ele veio em nossa direção, achando que nós eramos dirigentes esportivos da Ponte Preta (talvez por estarmos todos de terno, que é a vestimenta que usamos ao chegar num estádio). Com um português carregado de sotaque estrangeiro (não português de Portugal ou do Brasil, mas de qualquer outro lugar), disse que era jogador de futebol e comecei a puxar conversa.

O rapaz se apresentou como Ricardo (nome português) ou M'Bola (nome africano que já tem a bola até no nome). Ele veio de Guiné-Bissau. Já houvera disputado campeonatos pela Seleção de Guiné-Bissau nas divisões Sub15, Sub17 e Sub20, onde foi observado numa copa africana de nações e contratado pelo Benfica de Portugal. Mas aí vai um detalhe interessante: em seu país, há cristãos de diversas profissões religiosas, religiões tribais africanas e outras. E no caso desse jogador, ele é adventista do sétimo dia, e por esse motivo, e até porque existem muitos adventistas nesse país, não costumam jogar aos sábados (que é o dia de guarda deles). Na sua transferência, havia uma cláusula que lhe permitia a dispensa do sábado. No contrato assinado em português de Guiné-Bissau, segundo o empresário de Benfica, havia muitas palavras não-usuais do portugês pátrio. Assim, houve tradução do "português para o português", e na nova versão, o jogador assinou sem ler e não havia a ressalva do sábado.

No Benfica, jogou com o zagueiro Luisão (ex-cruzeiro) e Léo (ex-Santos), e disputou até a Champions League. No entanto, quando foi convocado para jogar no sábado, e crente que o contrato o liberaria, houve a discórdia e teve a interpelação da FIFA para o distrato.

Então, o jogador que aceitou encerrar o contrato sem multa e até estava disposto a abrir mão da carreira de atleta, foi convidado por um missionário da igreja dele para vir ao Brasil, em uma missão evangelística. E, segundo o jogador, na África o Brasil é a segunda pátria  de todos no futebol. Chegando aqui, foi estudar numa escola adventista, na cidade de Engenheiro Coelho - SP, onde realiza trabalhos sociais paralelamente. Por coincidência, em sua turma da faculdade havia um filho do diretor da Ponte Preta, que sugeriu fazer um contato para tentar uma oportunidade. E ali estava ele, negociando um contrato profissional, aos 21 anos, com essa história interessante (e com a possibilidade de não jogar aos sábados). E pelo que pudemos perceber, será o substituto do atacante Wanderley, vendido da Ponte Preta para o Cruzeiro.

Boa sorte, M'Bola ou Ricardo. Benvindo ao país do futebol, onde talvez particularidades como essas sejam permitidas!