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É revoltante como nem todas as pessoas inteligentes usam seus dons para o bem. Na década de 70, presos políticos eram colocados juntos em cela com ladrões de galinha. Surgiu, então, o Crime Organizado, com a fundação do Comando Vermelho no RJ.
Hoje, Salvatore Cacciola (homem corrupto, porém inteligentíssimo) está preso em Bangu 8, com detentos de toda espécie. Veja, abaixo, e acredite se quiser:
(Extraído de: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2023/artigo98381-1.htm)
Guru de Bangu 8
Na cadeia, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola veste roupa de grife, recebe comida caseira, usa celular e se torna uma espécie de líder dos presos
RENATO GARCIA
Na cadeia, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola veste roupa de grife, recebe comida caseira, usa celular e se torna uma espécie de líder dos presos
A vida que o dono do falido Banco Marka, o ítalo-brasileiro Salvatore Alberto Cacciola, 64 anos, leva hoje é certamente bem diferente do cotidiano de milionário que tinha antes de retornar ao Brasil e ser mandado para a penitenciária Bangu 8, no Rio de Janeiro – mas nem por isso ele pode reclamar. No cárcere, Cacciola é uma celebridade que atrai atenções e consegue manter um mínimo de conforto. O ex-banqueiro tem um frigobar, tevê e DVD. Não veste uniforme, só suas próprias roupas, boa parte delas de grifes italianas. Não come a gororoba do Desipe. Normalmente, alimenta- se com comidas enviadas pela família. Só bebe água mineral – de galão, é verdade. Ele abastece sua geladeira com coisas vendidas na cantina da cadeia, como sanduíches, biscoitos e refrigerantes. Mas apesar desses “luxos”, Cacciola não é malvisto pelos presos comuns porque transformou-se numa espécie de guru. Freqüentemente, ele passa horas conversando com seus novos “colegas” deprimidos. Gesticula, abraça, conforta. A “audiência”, não raro, termina em gargalhadas.
O ex-banqueiro já conversou com o ex-subchefe da Polícia Civil do Rio, Ricardo Hallac, preso pelo suposto envolvimento com a máfia dos caça-níqueis. Mais do que ajudar, ele se tornou “amigo de infância” dos irmãos Jerônimo e Natalino, respectivamente vereador e deputado estadual, acusados de chefiar milícias na zona oeste do Rio. Os dois passaram a chamá-lo de “mestre”, numa referência que se supõe ser a seu comportamento com os demais detentos. Para a direção da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, Cacciola, com todo o seu otimismo, tem ajudado muito os demais detentos da Penitenciária Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8, no Complexo Penal de Gericinó, no bairro Bangu, subúrbio do Rio. A prisão tem capacidade para abrigar 257 detentos. O preso ilustre costuma usar bermudas e camisas tipo pólo, de diversas cores, calçando sandálias de couro, mocassins ou tênis. Também caminha pela pequena quadra desportiva da penitenciária com moletons sofisticados, tênis Nike ou Mizuno, e meias esportivas.
Segundo fontes do sistema penitenciário, Cacciola é uma pessoa refinada, mesmo no xadrez. Advogados e parentes de outros presos dizem que ele fala pelo celular. Segundo uma prima de outro detento, o ex-banqueiro parece muito à vontade, conversa animadamente com os companheiros, conta piadas e ri muito. “Nem parece que está preso”, diz ela. Em dias de visita, recebe o irmão Renato e os filhos Fabrizio, que mora na Itália, e Rafaella, que todas as segundas e sextas-feiras sai de sua casa na avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa, uma das áreas mais nobres do Rio, para ver o pai em Bangu. Os filhos evitam reclamar da situação do ex-banqueiro e afirmam apenas que ele está sendo tratado com respeito.
A pior parte é a falta de privacidade – já devidamente notificada por seus advogados. Cacciola divide uma cela de 125,23 metros quadrados com outros 32 presos VIPs; e a cela está apenas com 50% de sua capacidade ocupada. O que mais incomoda os presos de Bangu 8 é o aterro sanitário, que fica colado à penitenciária e acarreta mau cheiro, moscas e até ratos. Outra queixa é a falta de água quente. A cela possui dois banheiros: um com vaso sanitário e outro com chuveiros. “Mas quem pagar, consegue um banho com água quente”, garante a parente de um colega de cela do ex-banqueiro. “Aqui tudo gira em torno de um trocado”, completa. Ela se questiona: “Será que o Cacciola está mesmo tomando banho frio?”.
Nos dias em que está aberto à visitação, o Complexo Penal de Gericinó transforma-se em pista de desfile de carros caríssimos como Honda Civic, Toyota Corolla, Ford Hilux e os mais esportivos, também caros, Eco Sport e Cross Fox. Todos com vidro preto, claro. Bangu 8 é conhecida como prisão VIP porque é o endereço dos presos com curso superior, ricos e/ou poderosos, como delegados, detetives da Polícia Civil do Rio, advogados, bombeiros, policiais militares, a maioria supostamente envolvida em crimes de alta rentabilidade.
Cacciola foi preso em 2000, acusado de crimes financeiros, mas ficou apenas 37 dias na cadeia. Libertado graças a uma decisão do Supremo Tribunal Federal, ele fugiu para a Itália, onde estabeleceu residência – tem dupla cidadania e, por isso, não poderia ser extraditado para o Brasil. Em 2005 foi condenado à revelia a 13 anos de prisão por peculato e gestão fraudulenta. No ano passado, o ex-banqueiro foi preso pela Interpol quando passeava no Principado de Mônaco. Extraditado, chegou ao Brasil no dia 17 de julho. “Ele só tem uma pena a cumprir, de 13 anos, se nenhum recurso que impetramos para anular a sentença ou reduzir a pena for aprovado. Mesmo assim nosso cliente não ficará mais do que um ano preso”, explica o advogado Carlos Eluf.

criado por Prof Rafael Porcari
16:22:36Alguns detalhes realmente passam batidos durante a êxtase de uma cerimônia esportiva, como a realizada em Pequim. A beleza e grandiosidade do evento não só encanta, mas também assusta. Logo após a abertura, muitos discutiam se o Brasil teria condições de abrigar no Rio de Janeiro uma Olimpíada e seus custos. Esta é uma história para se discutir e pensar muito bem, mas não é o tema que gostaria de abordar.
Quero retratar os minuciosos detalhes que as vezes passam desapercebidos. Durante a entrada de Taiwan, na Globo, o Galvão Bueno retratava os aplausos de quem naquele momento deixava as mágoas de lado pelo espírito olímpico. (A China boicotou 6 Olimpíadas em represália à participação da cidade-estado Taiwan, separatista e capitalista, reconhecida pela comunidade internacional). Já na Bandeirantes, na cabine ao lado, o Luciano do Valle retratou a sonora vaia durante a entrada da mesma delegação. Quem está certo, Galvão ou Luciano?
Para quem gosta de geografia, um show a parte a entrada das delegações. Só esqueceram de avisar que não existe "alfabeto chinês", já que um semi-alfabetizado na China deve conhecer pelo menos 5000 "palavras", ou melhor, ideogramas. E a língua oficial é o Mandarim.
Quanto aos atletas, é de assustar o esforço governamental em conquistar o título de campeão olímpico no quadro de medalhas, superando os americanos. Aliás, uma outra discussão: a classificação deve ser por número de medalhas de ouro, ou pela quantidade de medalhas obtidas no quadro geral? Lembre-se: o importante é competir! (ou não?...)
Os atletas de muitas modalidades estão confinados há dois anos pelo comitê chinês, longe da família, somente treinando. Essa "dedicação" não acaba desvirtuando o propósito olímpico? Não se torna alienação? É isso que queremos do esporte?
Últimos detalhes: Havia algumas delegações de apenas 1 atleta, que realmente terão como mérito nos jogos, a participação e a integração com a comunidade internacional (embora, em muitos países com 1 ou 2 atletas, se via a entrada de comitivas com 20 pessoas - os dirigentes que aproveitavam o momento - e que estavam certos de o fazer, já que o momento é único e a oportunidade também). Mas aí vai a questão: são os melhores que ali participam? Vejam, por exemplo, e agora generalizando os esportistas olímpicos, a arbitragem de Brasil X Bélgica no futebol masculino. O nosso amigo árabe "seu Kalhil", que apitou o jogo, é melhor que qualquer árbitro brasileiro? Certa e respeitosamente, se ele apitasse a nossa série A2 do Paulistão, ía ter trabalhado na saída do estádio.
Olha que curioso: quanto mais atletas e esportistas de ponta em um esporte, maior a impossibilidade dos árbitros daquele país chegarem às finais. Um exemplo é a Copa do Mundo: para termos outro brasileiro na final, "deve-se" (mas não é o que fazemos) torcer contra a Seleção Brasileira. E isto serve para todos os esportes. A propóstio, ninguém destacou os brasileiros que estão lá, e serão tão importantes quanto os atletas: árbitros, voluntários, técnicos, jornalistas e outras pessoas ligadas ao esporte. Tudo bem, eles não concorrem a medalhas. Mas a citação seria legal...
Por fim, durante esta madrugada, tive a oportunidade de assistir em um dos inúmeros canais Sportv abertos, uma empolgante partida de Badminton (pois é, a modalidade "Peteca" é olímpica), entre os atletas do Irã X Taipé. Na cadeira, tranquilamente, de blazer, um sujeito bolachão, de certa idade, que parecia estar curtindo o momento... E quem era? O juizão! O búlgaro Serguei Alguma Coisa (tava querendo demais assistir um jogo desse e saber até o sobrenome quase impronunciável do árbitro de peteca!). E cheguei a uma conclusão: é fácil ser juiz de peteca. Daqui a décadas (assim espero), quando encerrar a carreira, quero apitar peteca também! Não teve uma reclamação no jogo. Fácil, fácil...

criado por Prof Rafael Porcari
06:17:06