Blog do Professor Rafael Porcari

observações e manifestações do Prof Rafael Porcari sobre os diversos temas atuais. Debata e Comente os assuntos, vamos desenvolver nosso espírito crítico!

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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008, 14

14.06.08

Dinheiro Para o Metrô

O Governador de São Paulo, José Serra, esteve ontem assinando convênios com o Banco Mundial em Washington. Desta reunião de trabalho, veio a verba de 645 milhões de dólares para obras do Metrô paulistano. Na próxima semana, durante a visita do príncipe herdeiro japonês nas comemorações do Centenário da Imigração Japonesa, será assinado outro empréstimo de 650 milhões de dólares também para o Metrô. Ouvi em entrevista o Governador dizer: "temos idéias, mas não temos dinheiro...". Pois é, US$ 1.3 bi é um bom dinheiro. Agora, vamos ver se a competência administrativa será boa aliada da competência financeira. 

Eleitores Demais e Voto Duvidoso

O Tribunal Superior Eleitoral cancelou aproximadamente 1,8 milhão de títulos de eleitor. É muita coisa. Boa parte dele são de pessoas já falecidas, duplicidade  e cidadãos "não-existentes". Por mais que se preocupe na lisura do processo eleitoral, que as urnas eletrônicas sejam confiáveis, ainda se tem o problema de eleitores fantasmas. Mas, problema maior é a qualidade do voto. Quantas pessoas ainda votam a troco de bonés e camisetas ou por beleza e carisma. Por propostas adequadas e honestidade, ainda são poucos.

Ops: Havia municípios com maior número de eleitores do que habitantes. Parece o problema das CNHs de alguns municípios da Grande SP: maior número de motoristas do que habitantes.

 

O Nascimento da Megalópole

A China é curiosa por vários aspectos. Mas a narração das características da Megalópole Chongquing, talvez a maior cidade do mundo, assustam!

Abaixo, reportagem trazida pela última edição da Revista Exame.

Extraído de: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0920/negocios/m0161536.html

Nasce uma megalópole

Por Tiago Lethbridge, de Chongqing

São 6 da manhã, e o sol ainda se esconde atrás da densa camada de poluição que cobre o céu de Chongqing. O dia começa agora para os homens-bambu, que aos poucos chegam à praça em frente ao porto da cidade. Logo, são dezenas. Meia hora depois, centenas. Esse grupo desempenha a mais simples das atividades: com um pedaço de bambu atravessado nos ombros e uma corda, carregam ladeira acima as mercadorias que chegam ao porto. Cobram 2 yuans, o equivalente a 50 centavos de real, por viagem. Num bom dia, ganham o equivalente a 10 reais. Num mau dia, prostram-se entediados em algum meio-fio da cidade — e os maus dias são mais freqüentes que os bons. “Trabalho 14 horas diárias”, diz Jiang Tingyun, de 58 anos de idade e homem-bambu há uma década. “Se der sorte, faço 100 viagens nesse tempo. As costas doem, mas uma bebida à noite alivia o problema.” Jiang e seus colegas formam a base da pirâmide social urbana chinesa. Moram naquilo que o país tem de mais parecido com as favelas brasileiras: seus apartamentos não têm banheiro, e até oito pessoas se aglomeram em quartos de 20 metros quadrados. Há mais de 100 000 homens-bambu na cidade e, apesar das condições precárias em que vivem, novos candidatos à função não param de chegar do interior. Chongqing recebe mais de 300 000 migrantes por ano, um recorde nacional. A cidade oferece a eles a única promessa de prosperidade numa das regiões mais pobres do país: aqui está nascendo a maior megalópole da China.
(...) Uma das principais características do modelo de desenvolvimento da China nos últimos 20 anos tem sido a imensa desigualdade entre a costa e o interior do país. Como aconteceu com o Brasil em suas décadas de crescimento acelerado, a China concentrou sua expansão em algumas cidades litorâneas, relegando ao oeste do país a função de produzir comida e fornecer mão-de-obra barata às fábricas. Entra aí uma agravante. Cada chinês tem de morar e trabalhar na província onde nasceu, a não ser que o governo permita que se mude. Os operários que vão trabalhar nas fábricas costeiras não têm permissão para ficar e voltam para sua cidade natal quando perdem o emprego. Pelo modelo chinês, ter chance ou não na vida passou a ser questão de destino. Quem nasce em Xangai pode vestir ternos Armani, pintar o cabelo de roxo e dirigir um carrão. Sorte dele. E quem nasce numa província pobre não pode. Azar.
(...) Até dez anos atrás, Chongqing era conhecida por duas características: tinha o ar mais irrespirável da China e a comida mais apimentada. Estava condenada à irrelevância, enquanto as cidades costeiras davam saltos de crescimento a cada ano. Foi quando o governo espantou o país ao elevar o desenvolvimento de Chongqing à condição de prioridade absoluta. Isso aconteceu por meio da promoção da cidade à condição de “municipalidade”. No bizarro sistema administrativo chinês, ser uma “municipalidade” significa estar sob controle direto do governo central, não mais do chefete de província. A coisa é tão importante que, na época, apenas Pequim, Xangai e Tianjin tinham status semelhante. Para aumentar o impacto da decisão, o governo juntou à cidade uma área rural do tamanho da Escócia. Começou, então, a ressurreição de Chongqing. O governo usou a velha fórmula de sempre: investimentos pesados em infra-estrutura e benefícios fiscais para empresas dispostas a investir na região (a alíquota de imposto de renda é de 15%. Em Xangai, de 25%). A taxa de investimentos estatais na cidade vem crescendo ao ritmo de 25% ao ano e atingiu o equivalente a 100 bilhões de reais no ano passado, a maior da história. “Nosso crescimento vai ajudar a desenvolver toda a região que circunda a cidade”, disse a EXAME Huang Chaoyong, estrategista do governo de Chongqing. “Estamos falando de 240 milhões de pessoas.”
A 100 quilômetros do centro de Chongqing pode-se entender por que o governo escolheu essa região como prioridade máxima. Sair de Chongqing de carro é como dirigir numa auto-estrada rumo ao século 19. Em menos de 1 hora, arranha-céus, BMWs e restaurantes McDonald’s dão lugar a carros movidos a búfalo, campos de arroz, silêncio e ar puro. No vilarejo de Ba Nan, feirantes de rua vendem dentaduras, cortam cabelo e executam rituais de curandeirismo. Aqui, o contato com o mundo exterior é tão raro que os moradores locais parecem não acreditar que têm um estrangeiro diante dos olhos: uns chamam os outros para analisar a estranha criatura que surgiu do nada. Esse vilarejo é um microcosmo perfeito para analisar o impacto causado no campo pelo desordenado crescimento chinês das últimas décadas. Das 200 famílias que moram aqui, 89 foram quebradas ao meio. Os adultos trabalham como operários temporários em fábricas nas cidades. E cabe aos avós — ou ao governo — cuidar das crianças. “Sem o dinheiro que meus dois filhos mandam, não conseguiríamos viver”, diz Tao Yaohua, um camponês de 68 anos que planta arroz e cria os dois netos. Seus filhos trabalham na construção civil e ganham o equivalente a 10 reais por dia. Só voltam para casa nos feriados nacionais. Famílias com essa estrutura são invejadas no campo chinês. Os casos mais difíceis são aqueles em que cabe à mulher ficar com o filho, sozinha, enquanto o marido passa o ano noutra cidade. Um estudo da Universidade Harvard apontou que 56% dos suicídios de mulheres no mundo acontecem na China rural.
(...) Apesar dos notáveis progressos dos últimos anos, Chongqing ainda está longe de atingir patamar semelhante. O principal motivo? Mais uma vez, a localização. Chongqing teve na Segunda Guerra Mundial seus dias de glória. O então líder chinês, Chiang Kai-shek, decidiu transferir a capital do país para Chongqing. Como a cidade ficava longe de tudo, os bombardeios japoneses teriam dificuldade para chegar até o centro decisório da China na guerra. Passados quase 70 anos, Chongqing continua longe de tudo. Os custos de exportação são muito maiores aqui, pois é preciso levar os produtos quase 2 000 quilômetros rio abaixo, até Xangai. A cidade tenta compensar esse custo com uma mão-de-obra 50% mais barata e a alíquota camarada de imposto de renda. Mas hoje isso não basta. Quando Shenzhen surgiu, poucas províncias disputavam o investimento estrangeiro. Agora, todas se estapeiam para atrair multinacionais. Gigantes globais como Ford e Basf foram atraídas por Chongqing, mas não houve outros grandes investimentos estrangeiros na cidade. Um número resume o problema que a cidade enfrenta agora: cerca de 80% de seu crescimento na última década deveu-se ao investimento estatal. Para se tornar a Xangai do interior, como seus mandarins pretendem, Chongqing vai ter de elevar a participação de exportações e consumo nesse bolo. Será preciso, portanto, atrair capital. E está difícil convencer o capital a vir.

Adeus à Jamelão

Hoje morreu uma lenda viva do samba: Jamelão. O folclório sambista se notabilizou pela extensa carreira (faleceu praticamente trabalhando aos 95 anos) e pela personalidade forte: sempre com seu copo de conhaque a mão, se irritava quando lhe perguntavam se era puxador de escola de samba. Asperamente, dizia que "puxador só é quem puxa fumo de corda; eu sou intérprete de samba-enredo".

Uma curiosidade: seu gênero musical preferido era a música romântica, pois dizia que todas as canções passavam, mas o romantismo era imortal.