Blog do Professor Rafael Porcari

observações e manifestações do Prof Rafael Porcari sobre os diversos temas atuais. Debata e Comente os assuntos, vamos desenvolver nosso espírito crítico!

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008

29.04.08

O Terceiro Mandato

Respeito todas as convicções políticas, mas acho que até os petistas devem estar constrangidos em defender um terceiro mandato ao presidente Lula. Isso é péssimo para a democracia, há a necessidade de oxigenação quando se está no poder. Qualquer empresa, por melhor que seja seu líder, recicla o alto cargo executivo com outros nomes. Na Administração Pública não deve ser diferente. É nociva qualquer manifestação de perpetualização do poder, e parece que muitos se esquecem disso. Aliás, ontem, a pesquisa CNT-Sensus afirmou que mais de 50% dos brasileiros apóiam um terceiro mandato ao Lula. Não sou um deles, não fui entrevistado e nem apóio terceiro mandato de político algum, seja de esquerda, centrista ou de direita.

O Gol Contra de Ronaldo

Já falamos algumas vezes sobre o martírio do jogador de futebol Ronaldo Nazário neste espaço (clique aqui para ler mais), e compadecemo-nos com ele. Mas na última madrugada, os eventos que aconteceram com o jogador, fazem repensar tal sentimento.
Ele já está na história do futebol mundial como um dos grandes. É embaixador da ONU, referencial para as crianças. Carismático, bom moço; mas humano. E a não-santidade e excesso de humanidade fizeram com que se esquecesse da imagem pública criada e que por motivos outros deve ser cultivada.
O evento foi o fato de uma confusão envolvendo o Fenômeno e um travesti, flagrado num motel carioca. Segundo o “profissional do sexo” Andréia, Ronaldo o abordou na Praça do Ó (Barra da Tijuca) e junto com outros dois “colegas” de praça foram contratados para um programa em um motel. Quando chegaram ao motel, o jogador resolveu não fazer o programa e o travesti houvera ficado com um suposto dinheiro para comprar cocaína para a orgia. Já na versão de Ronaldo, ele pediu 3 garotas a um amigo, pois após sair de uma boate, às 4 da manhã, se sentiu sozinho. E ao recebê-las em um motel, percebeu que eram travestis e não quis continuar o programa. Inconformada, a travesti Andréia tentou extorquir 50 mil reais para não dizer que estavam fazendo sexo e cheirando cocaína.
Fico com a versão do futebolista, mas isso não quer dizer que o apóio. Um atleta em recuperação, com previsão de nove meses de tratamento, de madrugada em um dia útil da semana, com desejo de 3 mulheres, sendo o que ele representa? De novo: ele é humano, mas não deveria se expor e sim moralmente policiar-se com sua imagem. Mesmo a quatro paredes, ele é uma pessoa pública. Agora, os tablóides exploraram o fato, que é de interesse só dos envolvidos do jogador. É um problema particular dele, embora sua imagem seja pública e agora questionável frente aos seus fãs. Aliás, como ficará a sua imagem de artilheiro com as garotas, já que o rol de beldades é extenso? E as explicações ao seu filho Ronald? Por fim, e a sua nova namorada, o que pensará?
Não é problema meu o que Ronaldo faz ou deixa de fazer na cama, nem suas opções sexuais. Mas acho que é um problema ao seu clube, o Milan. Que será que o seu patrão, Sílvio Berlusconi, pensa sobre o fato, já que o atleta recebe meio milhão de euro mesmo sem jogar e estando em tratamento? Bela terapia...

24.04.08

A Passagem Livre

Na última quarta-feira, Toni Blair, ex-primeiro ministro inglês, foi a um evento público em Londres de metrô, a fim de incentivar o transporte coletivo. Porém, quando foi comprar o bilhete, percebeu que não tinha nenhum dinheiro no bolso. Imediatamente, um dos seus assessores se prontificou a pagar, mas o bilheteiro não quis aceitar, e liberou o nobre passageiro de pagar a tarifa, alegando que “pelos bons serviços prestados à Inglaterra, ele tinha passagem livre”!
E aí, na situação hipotética e metafórica de “bilheteiro da vida”, para quem você daria passagem livre? Gostaria da sua resposta no comentário!

Entendendo as Altas nos Preços do Mundo

Certas economias sentem mais as crises do que outras. Mas certo é, nesses tempos de globalização, que todos hão de senti-la. É o chamado “efeito borboleta”, que para muitos é “efeito dominó”. O nome, em si, não importa.
Hoje, muito se reclama na alta dos preços dos combustíveis e dos alimentos. Países pobres estão, logicamente, sofrendo muito mais do que os ricos quanto à alimentação, que por ventura se preocupam mais com o preço da gasolina. Mas o que desencadeou essa crise nos preços mundiais?
Segundo a ONU ( que depois negou seu próprio discurso), a alta no preço dos alimentos se deve ao plantio dos biocombustíveis, e principalmente ao... Brasil! Ora, fazemos apologia e desejamos ser o celeiro do mundo, pois como disse o navegador português, “aqui se plantando tudo dá”. Mas será que é para tanto? Muitos ativistas reclamam que alguns países (principalmente o nosso) substituem plantação de comida por produção de álcool, encarecendo os alimentos. Mas sabiamente o presidente Lula retrucou dizendo que “ninguém vai falar que o aumento do petróleo encarece o Diesel que é necessário para a logística da produção”? Boas palavras, que poderiam e deveriam ser complementadas com o discurso de que o álcool (ainda) não é a matriz energética do mundo, mas sim o petróleo (energia para transporte, evidentemente). Para se ter idéia, 1 litro de Gasolina na França custa 1,5 euro; na Itália, 1,94 euro; na Inglaterra (transformado de libra para euro), 2,02 euro. Comparado ao nosso 2,39-2,49 reais, é um preço altíssimo, mesmo com os custos de vida e receitas européias.
O barril de petróleo, matéria-prima do Diesel que move os caminhões que transportam alimentos e das máquinas / equipamentos agrícolas, passou a marca histórica dos 100 dólares o barril há tempos. Nunca o preço esteve tão alto, nem na crise do petróleo dos anos 70. Sabemos também que o petróleo não é um bem renovável, e um dia suas reservas irão se esgotar. Tudo isso contribui para a alta do produto e reflete no preço dos alimentos. A verdade, única e crua, é essa.
Mas e quanto o “plantar energia ao invés de plantar comida”? Em parte, poderia ser verdade, se substituíssemos a área plantada de arroz, feijão e hortaliças, por área plantada de cana. E isso se tem observado nos EUA (a mudança da cultura agrícola), mas com um detalhe: ao invés de cana, se utiliza o milho para a produção de álcool. Logicamente, faltará milho para comer e o preço aumentará. E a produção do álcool de milho é caríssima.
Já no Brasil, possuímos a cultura da cana tropical, que produz álcool de ótima qualidade a um preço inferior. Mas com uma característica singular: não substituímos a comida pelo álcool, mas ampliamos as áreas de plantio. Assim, não há justificativa para criticar nosso agronegócio. Tampouco elementos para provocar alta no preço dos alimentos. Lá fora, verdadeiramente, a comida sobe pelo preço do combustível (Diesel, não Álcool como já explicado). Aqui, os alimentos têm subido por problemas pontuais: as fortes chuvas que atingiram como nunca o Nordestes brasileiro, a péssima estrutura logística, e o aumento do custo do trigo argentino (a Argentina vendia trigo para nós, mas está segurando o produto para trocar com gás boliviano ou petróleo venezuelano, fazendo com que o pão suba sensivelmente). Assim, uma coisa não tem (mais ou menos) a ver com a outra.
Importante: a Petrobrás divulgou (na surdina, é verdade) um estudo no qual necessitaria aumentar em 24% os preços da Gasolina e Diesel, para se equiparar aos mercados internacionais. Aí teríamos aumento de alimentos ocasionados pelo aumento dos combustíveis.

A Virada Cultural da Capital

Novamente a cidade de São Paulo promoverá a virada cultural. Serão 32 horas de música, pintura, teatro e outros eventos, espalhados por todos os cantos da cidade. A iniciativa é ótima, não há o que discutir. Mas a qualidade e propósito dos shows, aí sim, é ponto de discussão.
No ano passado, um dos contratados foi o grupo Racionais MC, que durante uma canção acabou fazendo um discurso contra a PM, de apologia ao crime, o que irritou os policiais ali presentes, iniciando um tumulto gravíssimo. Letras ofensivas são transmissões culturais? Talvez apropriou-se de um evento de apologia à cultura, e levaram a cultura do ódio e intolerância, travestido de discurso contra preconceito da periferia (o que é peculiar dos fanáticos desse grupo). Espero que o excepcional evento tenha propósito e resultado positivo, e que vença a cultura da paz nessa maratona de arte.